Não haja dúvida, que as transmissões de corridas de toiros na televisão proporcionam excelentes audiências aos canais que as transmitem, como foi o caso da Corrida TV Norte, realizada no dia 17 de Julho, na Póvoa do Varzim e transmitida na RTP1.
A transmissão obteve uma audiência média acima dos 400 mil telespectadores, tendo atingido picos de audiência superiores a 600 mil telespectadores. Este programa fez subir a audiência média da RTP1 para os 13.1% mais 1,7% em relação ao dia anterior (11.4%) e 1,6% em relação à sexta-feira anterior (11.5%). Basta a presença das corridas de toiros na grelha da RTP1 para as audiências médias do canal dispararem, numa prova do poder televisivo da tauromaquia.
Os resultados da primeira transmissão televisiva de corridas de toiros em 2017, demonstraram, uma vez mais, a grande popularidade deste espetáculo cultural, junto do portugueses, tal como a excelente aposta de serviço público da RTP. Como refere o diretor de programação da RTP, Daniel Deusdado, confesso antitaurino, “Nós sabemos que as touradas fazem ótimas audiências”.

A próxima transmissão, a segunda de três corridas em 2017, vai decorrer dia 11 de Agosto, a partir da Figueira da Foz, às 22 horas. A última transmissão será no dia 12 de Outubro, a Corrida de Gala à antiga Portuguesa a partir do Campo Pequeno.

A grande questão que se coloca está relacionada, com a cada vez menos presença da Festa Brava nos órgãos de comunicação nacionais e de cariz generalista. Se existem excelentes audiências, porquê que a RTP e os outros canais de televisão, não transmitem mais touradas e programas sobre a Festa Brava? A resposta a esta questão é mais simples, do que aquilo que se possa pensar. As corridas de toiros televisionadas têm excelentes audiências, mas têm pouca publicidade. As principais marcas nacionais e internacionais, não querem estar associadas à Tauromaquia. Por isso, é que os canais de televisão não transmitem mais corridas. Dá audiências sim, mas não dá lucro.

Outros programas têm menos audiências e share, mas têm mais publicidade, logo, existe uma maior aposta, por parte dos canais na transmissão desses programas televisivos. Por isso, é que os canais de televisão privados (SIC e TVI), que em tempos transmitiram corridas de toiros, não o fazem na atualidade.

Resta, os canais de televisão temáticos, o Canal Toros em Espanha que tem subscritores em todo o Mundo e vive essencialmente dos seus assinantes, e não da publicidade propriamente dita, porque essa existe mas é escassa. E no caso nacional, o Campo Pequeno TV, um canal com qualidade, mas com uma programação muito limitada, face à programação do canal espanhol. Tendo em conta que o valor mensal não difere muito um do outro, a maioria dos aficionados prefere aderir ao canal Toros.
Uma das grandes dificuldades que a Tauromaquia enfrenta atualmente, é o fato de poucas empresas de grande / média dimensão querem estar associadas a este espetáculo. Ao contrário do que se passa na musica ou no futebol.

Se não existe publicidade, como é que pode existir comunicação social? Nenhuma empresa vive de audiências ou de visualizações. O que interessa ter milhares de visualizações, se ninguém mete lá dinheiro, ou aqueles que pagam fazem-no por valores miseráveis? É impossível fazer comunicação social com qualidade…
Como se pode pagar a profissionais qualificados (jornalistas, fotógrafos, paginadores, operadores de camara, editores vídeo, sonoplastas etc), se não existe dinheiro para o fazer? Pura e simplesmente não se faz.
Por isso, é que não existe uma presença assídua da Tauromaquia nos órgãos de comunicação social generalistas em Portugal.

No que diz respeito à comunicação social taurina, ela só existe por carolice. Não se pode exigir qualidade, porque a grande maioria das pessoas são amadores. Vivem em grande parte as suas vidas para a Tauromaquia, mas não vivem financeiramente da Tauromaquia. Isto é, no final do mês, não são os toiros que pagam as contas da casa, do carro, da eletricidade etc).
Esta vertente da Festa Brava portuguesa, é composta essencialmente por pessoas que não têm formação académica, nem profissional em Comunicação Social, mas a sua afición fala mais alto e se a divulgação das corridas de toiros ainda existe em Portugal (essencialmente na internet, em sites e blogs) é devido à paixão que estas gentes têm pelo mundo dos toiros.

Uns tentam contribuir para a divulgação da Tauromaquia. Outros, porém, são elementos desestabilizadores. São poucos é verdade, mas estes em nada contribuem para uma boa imagem da “imprensa taurina nacional”. Andam neste meio, mais para serem conhecidos em algum lado, do que propriamente pela sua afición… Fora a temática dos “toiros”, não têm assunto, nem vida própria, são pouco ecléticos e o seu mundo cinge-se somente às touradas e pouco mais…

A maioria das pessoas que fazem parte desta vertente da Tauromaquia, trabalham em áreas completamente distintas deste meio e tiveram formação nas mais variadíssimas áreas da nossa sociedade. São cronistas e fotógrafos amadores, que não querem estar envolvidos em polémicas, nem em sensacionalismos bacocos. Preferem estar na sombra e vão à sua maneira (e consoante as suas disponibilidades), contribuindo com boas crónicas e com boas fotografias para a divulgação e informação do meio taurino nacional. Esses sim são os últimos românticos da Festa!

Fontes: Protoiro e GFK/CAEM