Santarém 2017: Valeu por Padilla, “Juli” e Ventura

A edição deste ano da feira taurina de Santarém já terminou. Duas corridas mistas, boas prestações de quase todos os intervenientes (em especial as de Padilla, “Juli” e Ventura) e… pouco público presente na maior praça de toiros de Portugal. Dá que pensar seriamente no assunto. O empresário João Pedro Bolota (empresa Aplaudir), arriscou muito e montou dois cartéis da máxima categoria, com a presença de quatro das maiores figuras da tauromaquia a nível mundial e a verdade é que as bancadas da Celestino Graça, estiveram muito há quem daquilo que era esperado…

Pouco público e muito cimento à vista. Porquê?

Os aficionados não corresponderam como deviam ter respondido, há que pensar seriamente e a fundo nos motivos que levaram a esta situação. Afinal de contas, o que falhou? Será que existem cada vez menos aficionados? Será que existem corridas de toiros a mais, num país tão pequeno? Será que a “geringonça” ilude esta malta toda e ninguém tem dinheiro para ir aos toiros? Será o calor que se fez sentir (ontem estavam mais de 40º graus)? Será o fato de com estas temperaturas, as corridas em vez de terem início às 18 horas, podiam começar às 20 ou às 22 horas? Será o preço dos bilhetes demasiado elevado para uma praça com a capacidade para mais de 12 mil espetadores (a última vez que esta praça encheu foi quando o Moita Flores era presidente da Câmara de Santarém, e organizou 4 festivais, a 1 euro o preço de cada bilhete)? Será a falta de publicidade em determinados órgãos de comunicação taurinos, e em outros meios de comunicação generalistas nacionais (viram algum anúncio destas corridas na televisão)? Ou será mistura de todas estas questões e de outras mais que deviam ser abordadas com seriedade e urgência, em prol do futuro da Festa Brava em Portugal.

E atenção: Desta vez não podemos culpar os anti-taurinos, porque eles nem puseram os pés em Santarém!

Para quê pagar fortunas a toureiros espanhóis se o público não corresponde? Vamos voltar às corridas de seis cavaleiros e dois grupos de forcados? O Bolota agradece!

Sabemos que contratar 4 figuras de topo do escalafon não é nada barato, é certo e sabido. Só ontem por exemplo, circulava nos bastidores da Festa, que Padilla tinha um cachet a rondar os 30 mil euros e como a praça “estava às moscas”, o matador de Jerez de la Frontera fez um desconto de 5 mil euros… E os aficionados sabem que entre Padilla, Ventura, Morante e “El Juli”, o pirata do toureio é aquele que fica mais em conta às empresas.

O problema é que havia muito cimento à vista… vejam bem a enxaqueca que teve o promotor… Qual vai ser a vontade de Bolota voltar a montar corridas deste nível? Só dá prejuízo! Para quê montar estes cartéis se os aficionados ficam em casa? Mais vale fazer como antigamente (e o João Pedro foi tão criticado por fazer isso…), seis cavaleiros, dois grupos de forcados e toiros grandes mas minimamente acessíveis ao promotor. Para quê ir buscar “Nuñez del Cuvillo” e “Garcigrande”, se os “Sommer” ou outra ganadaria do género, faz o mesmo efeito e sai mais barato… Para quê contratar toureiros de 30 e 50 mil euros ou mais, quando se pode contratar por 2500 / 3 mil euros (ou menos) cada cavaleiro… Dizem as “más línguas” da nossa tauromaquia, que João Pedro Bolota não estava sozinho na organização desta feira… O certo e sabido, é que nos cartazes, o nome que estava lá era o da empresa do antigo cabo dos amadores de Alcochete.

Padilla é como “o algodão, não engana”

No que diz respeito à corrida de ontem que encerrou o ciclo escalabitano, o que fica na memória são as duas prestações de Juan José Padilla. A atitude deste homem é a mesma, seja em Madrid ou numa praça desmontável. Anda sempre no redline. Há quem critique que Padilla, não tem sentido estético, que não tem arte e que a técnica que possui é escassa… Em parte essas pessoas até podem estar certas, mas esqueceram-se de afirmar que Padilla tem uma raça, um querer, um respeito pelo público que poucos toureiros têm na atualidade. É um matador muito completo. Tem uma conexão com o público português que só Pablo Hermoso de Mendoza consegue ter (são toureiros consensuais), tem um reportório vasto tanto de capote, como com as bandarilhas ou com a muleta. E além disso tudo, ele arrisca diante do toiro. Prova disso foi a forte voltareta que sofreu, no decorrer da primeira faena realizada na Celestino Graça.

A corrida de ontem valeu pela prestação de Padilla e por uma grande pega de Lourenço Ribeiro dos amadores de Santarém. De resto pouco fica na memória.

Rouxinol teve ao seu nível com duas atuações corretas. Moura Caetano voltou a mostrar a sua classe a cavalo, cravando bons ferros curtos em ambos os toiros, ora montando o “Xispa” ora o Temperamento”, mas às vezes foi apanhado no radar por excesso de velocidade. Para a próxima Joãozinho, levas multa! Os amadores de Santarém pegaram os seus toiros, por intermédio de Salvador de Almeida à quarta tentativa, António Taurino à terceira tentativa, Lourenço Ribeiro e David Inácio ambos à primeira tentativa. Os toiros de Cunhal Patrício, Guiomar Cortes de Moura e Paulo Caetano, foram no geral mansos, exceção feita ao toiro de Paulo Caetano lidado em sexto lugar por Padilla.

E assim foi mais uma feira taurina de Santarém. Para o ano há mais!

foto: Frederico Henriques @ Instagram