Esta temporada a revista taurina “Novo Burladero”, comemorou o seu 40º aniversário, um feito inédito na tauromaquia nacional ter uma publicação que existiu de forma ininterrupta, ao longo de quatro décadas e sempre com uma qualidade acima da média.

O grande responsável desta publicação chama-se João Queiroz. O critico taurino de maior seriedade e exigência na atualidade em Portugal. Ele é o grande responsável por contar a história da Tauromaquia portuguesa, nos últimos 40 anos. Bons editoriais, crónicas sérias e entrevistas muito interessantes e pertinentes aos principais intervenientes da Festa Brava,acompanhadas sempre por boas fotografias. Manter durante 4 décadas uma publicação temática de uma área controversa da nossa cultura, mantendo sempre a qualidade que tem e tendo certamente muitas dificuldades para ter publicidade, é obra!

Como aficionado posso afirmar publicamente que aprendi muito(e ainda hoje aprendo) ao ler o Burladero. Não faço parte de nenhuma família aficionada, nem com ligação ao meio rural. Sou 100% lisboeta. Nasci em Benfica e durante muitos anos vivi em Alvalade. Sou aficionado devido às transmissões de corridas de toiros e magazines taurinos que a RTP, fazia na década de 90.Aos 5/6 anos após muita insistência lá em casa, a minha avó materna levou-me pela primeira vez a uma corrida de toiros. Foi a uma abertura da temporada lisboeta,num celebre domingo de Pascoa (a única corrida que se realizava na temporada do Campo Pequeno à tarde). Lembro-me que a corrida era mista e do cartel só me recordo-meda presença do Luís Rouxinol, embora o que me tenha causado maior impacto tenha sido o toureio a pé.

Certo dia passados uns anos, o meu pai passou pela livraria“Barata”, na Avenida de Roma e ofereceu-me a minha primeira revista “Novo Burladero”.Na capa vinham dois jovens novilheiros da escola de toureio da Moita (que anos mais tarde viriam a ser matadores de toiros), o Luís Vital “Procuna” e o Nuno Manuel “Velasquez” (curiosamente com a mudança de casa acabei por perder essa edição, que tinha a capa autografada pelos dois jovens diestros moitenses…).

Desde essa altura comecei a ser leitor assíduo desta publicação”. Revejo-me em muitas ideias e tenho gostos taurinos em comum com o João Queiroz.

Acredito que o meu futuro no jornalismo, vá passar acima de tudo pela vertente audiovisual (em prol da imprensa escrita). Não sou critico,nem cronista. Sou e serei sempre jornalista, que entre diversos temas sente uma paixão enorme por tudo o que envolva a Tauromaquia e nesta área uma das minhas maiores influências é e será sempre, o João Queiroz.

Ao longo dos últimos anos o que mais gostei da “Novo Burladero”, foram as reportagens realizadas em pueblos perdidos de Espanha onde toureavam novilheiros portugueses. Queiroz fazia (e ainda faz) imensos quilómetros para apoiar os jovens que sonham vestir-se de luces, mas que nasceram num país pouco dado a essa vertente do toureio.

“O que é feito de si” eram peças que me despertavam sempre muita atenção, porque foi nestas entrevistas que fiquei a conhecer melhor muitos dos intervenientes da nossa tauromaquia já retirados das arenas, mas que no passado tiveram um papel muito importante na história da tauromaquia portuguesa. Se não conhecermos passado, vamos ter muita dificuldade em compreender o presente.

As “entrevistas históricas” que este ano foram novamente publicadas foram simplesmente espetaculares. Gostei de todas, mas destaco as entrevistas ao critico Cabral Valente, a José Tello Barradas e a mestre David Ribeiro Telles), e porque os últimos são os primeiros não posso deixar de mencionar as “fotografias com história do Chaparreiro”. A primeira coisa que leio e vejo quando compro mais uma edição da revista.

Há uma coisa que aprendi com o João Queiroz e nunca vou esquecer “um jornalista ou um critico taurino nunca pode ser amigo de um toureiro, caso contrário nunca vai ser isento”.

É uma grande verdade para se poder exercer livremente o jornalismo e a cronica tauromáquica. Isto, se os toureiros não tiverem educação e nível. Caso contrário, ter amizades no meio taurino pode ser uma mais valia e uma excelente fonte de aprendizagem, eu que o diga, porque tive a oportunidade de receber muitos ensinamentos de dois toureiros que o João Queiroz muito admira,o José Luís Gonçalves e o António Ribeiro Telles.

Ao João Queiroz e a toda a sua equipa (em especial à Catarina Bexiga, ao Chaparreiro e ao Emílio de Jesus) o meu muito obrigado. Votos de muita saúde e que a “Novo Burladero” continue nas bancas por muitos e bons anos!