João Grave foi o nome escolhido para assumir a liderança do Grupo de Forcados Amadores de Santarém. É já nesta sexta-feira (dia 10 de junho, feriado nacional), que o jovem enólogo de 27 anos, recebe o testemunho de Diogo Sepúlveda, sendo o 10º cabo desta instituição centenária, que é sem dúvida alguma uma das mais importantes da tauromaquia e da cultura portuguesa.

Vamos conhecer melhor o novo cabo!

Faenas TV (FTV) – Olá João. Em que medida o facto de seres um “Grave” influenciou o gosto pelo Mundo dos Toiros?
João Grave (JG) – Sem dúvida que ter nascido na família em que nasci influenciou o meu gosto pelos toiros, pois desde pequeno me habituei a ir a corridas e a tentas em Galeana, que é a Herdade onde pasta a ganadaria Murteira Grave. Na altura a ganadaria era levada pelo meu Avô e hoje em dia pelo meu tio Joaquim Grave.

FTV – Se tivesses nascido numa família sem ligação a este meio, achas que algum dia serias aficionado e forcado?
JG – É uma pergunta difícil de responder. Há não aficionados que o são apesar de terem nascido em famílias com ligação à festa e há outros que o são apenas porque as circunstâncias da sua vida não proporcionaram que eles se tornassem aficionados. Eu poderia ser um destes últimos que descrevi, mas isso nunca se saberá ao certo.

FTV – Como foram os teus primeiros passos no Grupo de Santarém?
JG – Foram feitos com humildade e descrição. Sempre olhei para a jaqueta do Grupo de Santarém com enorme admiração e respeito e durante muito pensei que não estava ao meu alcance algum dia vesti-la. Tinha também outras distrações quando era mais novo. Montava a cavalo ainda que não passasse dum hobby mas acabou por condicionar, que apenas numa idade mais tardia decidisse experimentar ser forcado. Para ser sincero a primeira vez que fui a um treino não acreditava que um dia ia chegar a vestir a jaqueta do Grupo de Santarém.

FTV – Qual é a tua alcunha no Grupo? E porquê?
JG – Dentro do Grupo costumo ser tratado pelo meu nome.

FTV – Quantas pegas já realizaste?
JG – Pouco mais de 20.

FTV – Preferes pegar de caras ou dar ajudas?
JG – Sinto-me mais à vontade a pegar de caras, do que ajudar, porque é aquilo que costumo treinar mais.

FTV –  Quais foram os principais valores que te foram transmitidos na tua formação como forcado?
JG – Aqueles que eu valorizo mais são a amizade, a entrega, a humildade, a simplicidade e a generosidade.

FTV – Alguma vez pensaste ser cabo do Grupo?
JG – Não. Sempre me preocupei com os desafios que iam aparecendo no Grupo. Ajudar naquilo que fosse preciso e aplicar-me nos treinos para poder ter o meu lugar nas corridas. Não é fácil para alguém que começa a treinar no Grupo de Santarém, ganhar o seu lugar como forcado, porque felizmente temos muito bons forcados e ajudas.

FTV – A partir de 10 de Junho, vais fazer parte da história de uma instituição centenária na tauromaquia nacional. Vai ser difícil convencer os outros elementos do Grupo a aceitar como tu és?
JG – no Grupo de Santarém os cabos não são impostos, é o próprio Grupo de forcados, no ativo, a eleger quem quer ter como cabo. Nesse sentido sinto-me no dever de ser coerente com aquilo que tenho sido até agora para que quem me colocou nesta posição, não se sinta traído. Claro que esta responsabilidade me vai trazer exigências novas, com as quais eu nunca tive de lidar até hoje, mas se eu tivesse de convencer os outros elementos a aceitarem-me como sou, certamente não seria cabo.

FTV – O que se nota primeiro em ti o esforço ou o talento?
JG – Preferia que essa pergunta fosse feita a outra pessoa… Acredito que não seja o talento a primeira coisa que se note em mim e em relação ao esforço eu tento e irei sempre tentar que se note o menos possível.

FTV – Qual é a característica que te define melhor e que vai ser mais importante na liderança do Grupo de Santarém?
JG – Diogo confesso que ainda me sinto sem maturidade para responder a essa pergunta. Acho que ninguém se conhece verdadeiramente até que tenha sido posto à prova. Daqui a uns tempos, se Deus quiser, já hei de conhecer o meu tipo de liderança, por enquanto ainda não…

FTV – Para ti, o que é ser forcado?
JG – Para mim a essência do forcado está nos valores que eu lhe dei de amizade, entrega, humildade, simplicidade e generosidade, é a partir daqui que tudo se constrói. Se quiser ir mais além sem dúvida que a arte e toureria são características que se valorizam num forcado.

Obrigado João. Um bem-haja para ti e até dia 10!

Entrevista: Diogo Marcelino

Fotos: Pedro Batalha e DR

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