Dez anos depois de se iniciar na atividade jornalística, surge a primeira entrevista a Diogo Marcelino, onde vamos ficar a conhecer melhor quem é este jornalista que tem uma aficion do tamanho do Mundo.

Faenas TV (FTV) Olá Diogo, 10 anos de jornalismo já é algum tempo… Que recordações tens da primeira vez que entraste numa redação?

Diogo Marcelino (DM) – Foi na TVI em 2009, mal entrei para o estágio disse logo que aquilo era o meu mundo. Fui parar a informação à editoria de Sociedade e ainda fiz umas quantas reportagens para dois programas que a TVI tinha na altura, o “Cartaz das Artes” e o “DeLuxe”. Mais tarde colaborei com a Rádio Ultra FM (informação e programas de autor), criei o Faenas TV, colaborei com a TV Almada e com o Campo Pequeno TV. Foram todas excelentes experiências jornalísticas das quais tenho ótimas recordações.

FTV – Já te conheço há tantos anos e desde sempre lembro-me da tua afición. Como é que surgiu esta paixão pela Festa Brava?

DM – Olha Gonçalo, a minha afición surgiu através da televisão. Quando era miúdo vivia com os meus pais e com a minha avó materna em Alvalade (Lisboa) e sempre que dava uma corrida de toiros na televisão eu ficava fascinado. Gostava mais de ver as touradas do que os desenhos animados.

FTV – Na tua família alguém estava relacionado com este meio?

DM – Não, ninguém estava relacionado com o meio taurino e não havia ninguém que fosse aficionado aos toiros. Gostavam e respeitavam, mas ninguém era propriamente aficionado à Festa Brava.

FTV – Lembras-te da primeira corrida de toiros que foste ver?

DM – Não me lembro que idade tinha, mas sei que foi no Campo Pequeno, num domingo de Pascoa. Fiz um acordo com a minha avó materna. Ia de manhã com ela à missa, à Igreja de São João de Brito e depois de almoço ela levava-me ao Campo Pequeno.

FTV – Tens recordações desse dia?

DM – Só me lembro que era uma corrida mista e que fiquei logo fascinado pelo toureio a pé. Foi amor à primeira vista

FTV – E a partir daí como foi crescendo a tua afición?

DM – Comecei a pedir para ir com frequência a corridas de toiros. Ao Campo Pequeno ia com muita regularidade e depois comecei a ir a praças perto de Lisboa, como Vila Franca, Alcochete, Montijo e Moita, aí até tenho uma história engraçada na corrida em que o Pedrito matou um toiro. Quando terminou a corrida saltei para dentro da arena para festejar. Foi uma noite memorável.

FTV – Lembras-te da primeira vez que agarraste num capote?

DM – Lembro sim! Nessa altura, o meu pai organizava eventos e congressos médicos. Um desses eventos tinha um dia no campo, na ganadaria Palha. Os médicos davam uma volta de balão de ar quente, assistiam a uma tenta, almoçavam e depois visitavam a ganadaria. O meu pai organizava estes eventos em parceria com o maestro Mário Coelho (pessoa por quem tenho enorme estima e admiração), que fez questão de me ensinar a agarrar no capote.

FTV – A partir desse momento a tua afición disparou?

DM – A partir desse dia o sonho de ser matador de toiros começou a estar presente a todo o momento. Vivia as 24 horas do dia a pensar na tauromaquia.

FTV – Mas esse sonho acabou por nunca se realizar. Porquê?

DM – Foi fruto do contexto em que estava inserido. A minha família não era aficionada e os meus pais sempre me disseram que apoiavam a minha afición, mas não apoiavam a ideia de ser toureiro. Portanto tive de me contentar com a realidade e perceber que nem todos os sonhos são realizáveis.

FTV – Nessa altura perdeste a afición?

DM – Nunca, muito pelo contrário, a minha afición foi sempre a aumentar! A partir dos 18 anos tive algumas experiências a nível taurino muito interessantes.

FTV – Quais?

DM – Aos 18 anos o maestro Mário Coelho, levou-me à Escola de Toureio José Falcão, em Vila Franca de Xira e apresentou-me ao maestro José Júlio, que inclusivamente levou-me a dois tentaderos. O primeiro na Herdade do Balancho, do falecido João Vilaverde e mais tarde fui a uma tenta na ganadaria Dias Coutinho.

FTV – Porquê que deixaste de frequentar a Escola de Toureio de Vila Franca?

DM – Tinha começado a licenciatura em Direito e era muito difícil conciliar as duas coisas. Em casa tinha uma pressão familiar para dar primazia aos estudos. Mas sabes, uns tempos depois fui conhecer os bastidores de um grupo de forcados a convite de um amigo do Colégio Sagrado Coração de Maria.

FTV – A sério?

DM – Sim. Estava no 2º ano do curso quando o Zé Pessanha me convidou para ir a um treino dos Forcados das Caldas da Rainha. Aceitei sem hesitar! O Ricardo e o Pedro Ferreira também chegaram a ir aos treinos, mas nenhum de nós acabou por se fardar pelo Grupo. Nós gostávamos de estar com aquela rapaziada, mas não nos revíamos a 100% nos forcados e acabamos por sair. Eu gostei muito da experiência, mas a minha paixão foi sempre o toureio a pé.

FTV – Depois foste para a Academia do Campo Pequeno, lembro-me de lá ir ver-te dar uns muletazos a uma bezerra…

DM – Isso já foi uns bons anos depois. Já tinha terminado a licenciatura em Direito e a pós-graduação em Jornalismo. Já tinha estagiado na TVI e estava a dar os primeiros passos na rádio. Estava na Ultra FM, em Vila Franca de Xira. Fazia as notícias da manhã e tinha dois magazines. No Verão, fazia o “Faenas”, um programa dedicado à Tauromaquia e no Inverno, fazia o “Ultraleve – Vidas com História”, um programa de entrevistas de vida a diversas personalidades da nossa sociedade. Nos intervalos, ajudava o meu pai na empresa e ia treinar à Academia de Toureio do Campo Pequeno. Fui um dos primeiros alunos.

FTV – Gostaste da experiência?

DM – Eu não gostei, eu adorei!! Tenho muitas saudades de ir ao campo. Na maioria das vezes, ia no carro do maestro José Luís Gonçalves, com o Américo Manadas, o filho do maestro Zé Luís e o Sérgio que está agora na Escola de Toureio de Madrid. Foi uma época excecional. Conheci várias ganadarias e sempre que era possível dava uns muletazos. Lembro-me de ir à ganadaria Pontes Dias, Benjumea, Charrua, José Luís Cochicho, Falé Filipe, Infante da Câmara, Ribeiro Telles, a casa do cavaleiro Jorge de Almeida, em Almeirim etc… Foram tempos muito bem passados. Há ensinamentos do maestro José Luís Gonçalves e do Américo Manadas que vou guardar para o resto da vida! Nessa altura, se tivesse mais maturidade, era capaz de ter chegado um bocadinho mais longe… Faltou-me maturidade… Toureava aquilo que não sentia, pensava que era o “El Cordobés” (risos), mas sempre que tentava tourear de joelhos ou colocar um par de bandarilhas aquilo corria mal… O meu sentimento era o toureio clássico. Era isso que sentia e saía com naturalidade, mas nessa altura achava que o público não gostava desse estilo e sempre que começava a inventar saía asneira e lá vinham as voltaretas desnecessárias… Hoje em dia posso dizer com toda a certeza, tive a oportunidade, mas não soube agarrar, por falta de maturidade.

FTV – O que é mais difícil para ti quando se está diante de uma rês brava?

DM – Há duas coisas muito difíceis quando se está diante de uma rês brava, a primeira é a abstração do corpo e a segunda é conseguir pensar diante do animal. Outro aspeto muito importante que aprendi, é que nunca se consegue tourear aquilo que não se sente. Tu não podes imitar ninguém, tens de ser tu próprio.

FTV – Porque decidiste sair da Academia do Campo Pequeno?

DM – Achei que o meu tempo na Academia tinha chegado ao fim. Havia muitos jovens que mereciam mais as oportunidades do que eu.

FTV – É nessa altura que surge o Faenas TV?

DM – O Faenas TV surge em 2011. Durante a minha passagem pela Academia do Campo Pequeno, encontrei o Óscar Rosmano (filho do matador de toiros com o mesmo nome) e decidimos dar imagem ao programa de rádio que tinha na Ultra FM. O Rosmano era o responsável pela parte técnica (filmagem e edição dos vídeos) e eu fazia a produção e a parte jornalística.

FTV – Mas a determinada altura o Óscar sai e tu continuas com o projeto certo?

DM – O Óscar Rosmano foi das melhores pessoas que conheci neste meio. A primeira vez que me cruzei com ele foi durante o estágio que fiz na TVI. A determinada altura o editor de serviço mandou-me para o salão erótico de Lisboa fazer uma reportagem para o noticiário das 20 horas e foi nesse dia que conheci o Rosmano. Depois ele foi a primeira pessoa a acreditar neste projeto, só que ele tinha uma vida profissional muito preenchida e não tinha muita disponibilidade para fazer o Faenas TV.

FTV – A partir daí nunca mais paraste com o Faenas TV?

DM – Em 2012 tive quase para desistir…. Era muito difícil ter uma equipa técnica em condições e mais difícil ainda era pagar a essa equipa técnica. Mas a minha afición falou mais alto e em 2013 comecei tudo do zero. Fui comprando material técnico (câmaras de filmar, tripes, computador de edição vídeo etc…), fui tendo vários colaboradores tanto na área da captação de imagem, como na edição vídeo. Quando tudo falhava, era eu que filmava ou editava. Sempre gostei de aprender um bocadinho de tudo. O saber não ocupa lugar!


FTV – Tens noção de quantas reportagens fizeste nos últimos anos?

DM – Não faço ideia…. Foram bastantes, já filmei em Portugal, Espanha e nos Estados Unidos da América.

FTV – Sempre fizeste os conteúdos que querias?

DM – Não. Por exemplo, gostava muito de fazer esta entrevista em vídeo, mas para ter o mínimo de qualidade este conteúdo ia ter um custo considerável. Para fazer, ou é bem feito e com qualidade ou não se faz. Estou sempre limitado a orçamentos muito reduzidos, para os valores praticados no mercado audiovisual.

FTV – E quando não se tem orçamento como se faz?

DM – Fazemos por escrito, como estamos a fazer hoje. Não havia orçamento para fazer em vídeo, paciência…. Fazemos em texto. Não tem tanta visibilidade, mas não é por isso que se deixa de fazer.

FTV – Assim é mais difícil…

DM – Nunca ninguém me disse que a vida era fácil. Haja saúde e tudo o resto vem por acréscimo. Temos de estar preparados para agarrar as oportunidades quando elas surgem, mas quando elas não surgem temos de ser nós a criar as nossas oportunidades. Temos é de querer, não podemos baixar os braços nem desanimar. Degrau a degrau, vou subindo a escada toda, mas às vezes é preciso descer um degrau, para depois subir dois. O importante é querer, querer e querer!!

FTV – As visualizações contam muito para ti?

DM – Para mim as visualizações contam pouco ou nada… As visualizações não dão dinheiro, não trazem publicidade, porque as grandes marcas nacionais e internacionais (neste momento em Portugal) não querem estar associadas à Tauromaquia.

FTV – Qual foi o vídeo que te deu mais prazer fazer?

DM – Todos os vídeos dão-me muito prazer, mas a homenagem ao mestre Joaquim Bastinhas e a entrevista ao Rodolfo Rodriguez “El Pana” mexeram comigo.

FTV – Quem gostavas de ter entrevistado e nunca entrevistaste?

DM – O mestre David Ribeiro Telles e o Sr. Emílio de Jesus.

Diogo Marcelino e mestre David Ribeiro Telles

FTV – Quem são as tuas referências na comunicação social taurina?

DM – Inicialmente o Maurício do Vale e o Francisco Morgado. O Faenas é uma homenagem a um programa que eles tinham há muitos anos, na RTP 2. Ainda tenho aqui no escritório algumas cassetes VHS desse programa. Via e gravava religiosamente. Lembro-me que vi a reportagem da despedida do José Trincheira, mais de 100 vezes… Mais tarde comecei a ler todos os meses a revista “Novo Burladero”, para mim a melhor enciclopédia do toureio português. O João Queiroz, na minha opinião, é a maior referência da imprensa taurina portuguesa. Não posso esquecer o Miguel Alvarenga, a irreverência em pessoa e o jornalismo tem de ter obrigatoriamente irreverência, caso contrário não é jornalismo é outra coisa qualquer… O José Cáceres é outra referência obrigatória. Para mim é um ídolo, via todos os programas do “Arte e Emoção” e no ano passado tive oportunidade de fazer parte da equipa do Campo Pequeno TV. Tu nem imaginas a alegria que foi! Não posso terminar sem deixar uma palavra de apreço a duas senhoras que admiro imenso na imprensa taurina nacional, a Catarina Bexiga e a Patrícia Sardinha que para mim é só, a melhor critica taurina da minha geração, além disso está à frente do “Sector 1” e sempre que pode promove a tauromaquia de uma forma muito digna.

FTV – Tu inspiras-te em algum deles?

DM – Eu aprendo com todos eles e tento ter o meu próprio
estilo. Faço o jornalismo que sinto.

FTV – Tens algum sonho por realizar no jornalismo taurino?

DM – Adorava ter um magazine taurino num canal de televisão generalista. Neste momento sei que uma “missão (quase) impossível”, mas a esperança é a última a morrer.

FTV – Fora do jornalismo taurino, o que gostavas de fazer?

DM – Em televisão gostava muito de fazer infotainment, que é a mistura da informação com o entretenimento. Fora o mercado audiovisual, quero trabalhar por conta própria, das duas uma, ou dou continuidade à empresa do meu pai, ou vou criar o meu próprio negócio. Uma coisa tenho quase a certeza, fora a televisão serei sempre patrão de mim próprio.

FTV – Falamos há bocadinho das tuas referências no jornalismo taurino e no toureio também tens ídolos?

DM – Queres a resposta politicamente correta ou a sincera?

FTV – As duas.

DM – Politicamente correto, diria que aprecio todos os toureiros, cavaleiros e forcados, independentemente do seu estilo. Sinceramente, digo que aprecio todos os cavaleiros, mas tenho um carinho muito especial pelo António Ribeiro Telles e pelo Pablo Hermoso de Mendoza.

António Ribeiro Telles, Diogo Marcelino e Pablo Hermoso de Mendoza

FTV – E no toureio a pé quem são os teus ídolos?

DM – Em Portugal sempre admirei imenso o José Luís Gonçalves pela plástica e sentido estético e o Pedrito de Portugal. Na época áurea, tinha um carisma que não deixava ninguém indiferente.

FTV – E além-fronteiras?

DM – Gosto de recuar no tempo, “El Pana”, Curro Romero, Rafael de Paula e Manuel Benitez “El Cordobés”. Os primeiros pela arte e o sentimento com que toureavam, o último pela alegria e por ter uma mão esquerda especial. Numa época mais recente Cesar Rincón e Paco Ojeda. Na atualidade José Tomás, “Morante de la Puebla”, “El Juli”, Diego Urdiales e Roca Rey. Estilos distintos, mas todos com uma pureza incrível. O toureio é democracia e ecletismo.

Curro Romero e Diogo Marcelino

FTV – O que é para ti a Tauromaquia?

DM – Para mim a Tauromaquia é a melhor metáfora da vida. Todos nós somos metaforicamente toureiros ao longo das nossas vidas, tendo em conta que todos enfrentamos problemas de diferentes tipos (pessoais, profissionais etc…) e a única forma de enfrentar e resolver essas situações é de frente, da mesma maneira que o toureiro enfrenta o toiro.

FTV – E para ti o que é ser toureiro?

DM – É o individuo ter a capacidade de transformar o medo em arte.

FTV – A Tauromaquia é a maior paixão da tua vida?

DM – A Tauromaquia não é uma paixão… é um dos grandes amores da minha vida! A paixão é efémera, mas o amor é eterno!

FTV – E para ti o que é tourear?

DM – Tourear na sua essência mais pura, é um dos maiores gestos de amor que pode existir, porque é estar disposto a dar a vida em prol da arte.

FTV – Se tivesses um super-poder qual seria?

DM – Terminar com a dor de todas as pessoas. 

FTV – Como te vês daqui a 10 anos?

DM – Não sei…. Haja saúde e oportunidade de trabalho. Sinceramente acredito que o melhor ainda está por vir.

FTV – E como vês a Tauromaquia daqui a 10 / 20 anos?

DM – Tudo depende da afición das pessoas e em parte da vontade dos políticos. Preocupa-me muito as situações que se vivem em Viana do Castelo e na Povoa de Varzim. Os autarcas não deviam proibir a Tauromaquia nas suas autarquias, além de ser inconstitucional, é uma tremenda falta de respeito pelos cidadãos dessas localidades. Os aficionados têm de estar unidos e têm de lutar com inteligência contra os movimentos dos extremistas antitaurinos. A Prótoiro está a fazer um excelente trabalho nesse sentido, mas era preciso mais.

FTV – Que significado tem o Campo Pequeno para ti?

DM – Tem um significado enorme! Para além de ser a praça de toiros mais bonita do Mundo, é a praça da minha terra. Quase todos os dias passo por lá, fica paredes meias com a minha casa. É a praça onde cresci como aficionado e como jornalista. Como aficionado é o local onde vi mais corridas de toiros e como jornalista é o sítio onde fiz mais reportagens. Além disso, é o barómetro da Tauromaquia portuguesa.

FTV – O que achas da gestão do Campo Pequeno?

DM – Espetacular! O maestro Rui Bento sabe como ninguém gerir esta praça. Monta carteis de nível mundial, que podiam estar em qualquer feira taurina das principais praças de Espanha, França ou México. Além disso o maestro está bem rodeado, o Dr. Paulo Pereira é uma pessoa que sabe muito dos bastidores da Festa, joga sempre com discrição, mas para mim é um elemento fundamental da equipa do Campo Pequeno. A Dra. Paula Resende teve sorte em trabalhar com uma equipa muito experiente e profissional. Haja toiros a investir e aficionados dispostos a comprar abonos e bilhetes que a Tauromaquia em Lisboa vai estar de boa saúde por muitos e bons anos!

Rui Bento e Diogo Marcelino

FTV – Ricardo Relvas?

DM – O Ricardo é dos poucos amigos que tenho neste mundo dos toiros. A maioria dos meus amigos nem sequer são aficionados. Respeitam, mas é raro irem aos toiros. Apesar da grande diferença de idade, o Ricardo Relvas é das pessoas por quem tenho mais carinho neste meio. É um Senhor que tem sempre uma palavra certa, no momento certo. Os seus conselhos foram sempre de uma honestidade incrível. É sem dúvida alguém por quem tenho uma grande estima.

FTV – Deves um pedido e desculpas a alguém?

DM – Acho que não… Mas se tiver de pedir desculpas, peço sem problema algum. É importante não confundir ter caráter, com falta de educação. Ter caráter é dizer o que se pensa sem querer ofender ninguém. Falta de educação é ofender física ou verbalmente alguém. Nunca ofendi ninguém, mas nunca deixei de dizer aquilo que penso.

FTV – Alguém te deve um pedido de desculpas?

DM – Não, ninguém me deve nada. Não guardo rancor de ninguém, nem mesmo daqueles que foram incorretos comigo. Posso ficar chateado na altura, mas passados 5 minutos tudo passou e a vida continua. Agora há 2 ou 3 pessoas que só lhes ficava bem convidarem-me para uma cerveja e darem um aperto de mão. Afinal de contas, todos nós precisamos uns dos outros.

FTV – O que esperas da iniciativa “Vem sentir a magia do toureio” que vais levar a cabo no sábado, dia 30 de março em Arruda dos Vinhos?

DM – É apenas “uma gota de água no meio do oceano”. Para mim é uma forma diferente das pessoas experimentarem as sensações do toureio. Os aficionados vão ter oportunidade de pisar uma arena de uma praça de toiros com história e onde já tourearam grandes figuras tanto do toureio a pé, como do toureio a cavalo e podem aprender a agarrar num capote ou numa muleta. A entrada é livre. Arruda fica a 20 minutos de Lisboa, tem ótimos acessos e a praça está impecável, situada numa zona muito agradável com um jardim e diversas infraestruturas desportivas. É só aparecer e aprender. Aproveito esta ocasião para agradecer publicamente a forma desinteressada como o Ernesto Manuel (que vai ser o professor presente neste evento) e o Eng. Jorge de Carvalho (que vai ceder a praça de Arruda dos Vinhos) aceitaram participar. A eles o meu muito obrigado!

FTV – Esta iniciativa vai ser um evento único ou vai ter continuidade?

DM – Tudo depende da adesão das pessoas. O meu objetivo era criar uma Escola de Aficionados Práticos, que se reunissem uma vez por mês na praça de toiros de Arruda dos Vinhos. Inicialmente seriam só aulas de toureio de salão, mas a seu tempo gostava de realizar aulas práticas com añojas ou bezerras. Todas as aulas (independentemente do formato) vão ser lecionadas pelo professor residente, o Ernesto Manuel. No entanto, podem ter convidados que venham enriquecer esta iniciativa. Tudo a seu tempo, gosto de dar um passo de cada vez sem criar muitas expetativas.

FTV – Vamos às perguntas curtas?

DM – Siga!

FTV – Benfica ou Sporting?

DM – Benfica, sempre!

FTV – Carapaus grelhados com molho à espanhola ou Bacalhau à Brás?

DM – Ui, venha o diabo e escolha… São os meus pratos favoritos!

FTV – Carro ou moto?

DM – Moto. É o meu momento de introspeção.

FTV – Louras ou Morenas?

DM – Não importa a cor do cabelo, o que interessa é o caráter e o sorriso.

FTV – Amizade colorida ou Namoro?

DM – Namoro. Já lá vai o tempo das amizades coloridas. Na vida há tempo para tudo.

FTV – Esquerda ou Direita?

DM – Sou um liberal com princípios conservadores.

FTV – Completa a seguinte frase “Venha daí…”

DM – Venha aos toiros com o Faenas TV (risos).

FTV – Para terminar a entrevista, porque a nossa conversa já vai longa. Se tivesses de escrever uma frase para ser lida daqui a muitos anos, o que escrevias?

DM – Nunca percam a esperança, nem a afición!

Entrevista: Gonçalo Henrique | Fotos: DR.