O ano 2020 ficou marcado a nível mundial pela pandemia da Covid-19, o vírus refletiu-se em todas as áreas da sociedade e a tauromaquia não foi exceção. A aplicação de uma nova taxa de IVA de 23% na Festa Brava foi outro fator que influenciou negativamente a tauromaquia nacional em 2020.

A temporada portuguesa começou como é habitual a 1 de fevereiro em Mourão, depois ainda realizaram-se o Dia da Tauromaquia em Lisboa e um festival em Alcochete. Portugal entra em confinamento e a temporada tauromáquica só retoma a 11 de julho em Estremoz, numa organização de Luís Miguel Pombeiro. Um homem dos “sete ofícios” (já foi cavaleiro amador, jornalista e atualmente é apoderado e empresário tauromáquico), que foi sem dúvida alguma a figura central da atípica temporada 2020.

Além de organizar a primeira corrida de toiros pós-confinamento em território nacional, foi o promotor das corridas de toiros no Campo Pequeno. A concessão da praça de toiros de Lisboa passou a estar a cargo da empresa Plateia Colossal, que tem como principal responsável Álvaro Covões, um homem que todos conhecem por estar ligado há organização de eventos musicais, nomeadamente no Coliseu dos Recreios (a sua família é proprietária desta emblemática sala de espetáculos) e do Festival Alive, uma referência para todos os apreciadores de musica rock e pop.

Covões respeita a tauromaquia, mas não quer estar envolvido diretamente num negócio que não conhece nem tem interesse em promover, por isso levou a efeito um concurso para a realização de corridas de toiros na temporada 2020 no Campo Pequeno, concurso esse que foi ganho pelo já mencionado Luís Miguel Pombeiro.

Pombeiro fez o que podia e o que estava ao seu alcance dentro dos limites impostos pela Direção Geral de Saúde. Se podia ter feito melhor? Sim, há sempre aspetos a melhorar e arestas a limar.

Os carteis da corrida dos seis cavaleiros e da corrida mista, não estavam rematados, nem eram apropriados para o Campo Pequeno. As datas destas corridas foram demasiado próximas e não deu tempo para o publico ficar com saudades de ir aos toiros a Lisboa (nem com saudades, nem com dinheiro).

A forma como trabalha a comunicação e promoção das corridas tem que melhorar, tem de ser mais profissional. Pombeiro sabe disso, como ninguém, afinal de contas ele é jornalista. No geral a nota é positiva de tal forma que foi reconduzido no cargo e em 2021 estará novamente a organizar as corridas de toiros no Campo Pequeno.

Na “província” há que destacar a Feira de Vila Franca de Xira e da Moita do Ribatejo. Ambos os certames organizados pela empresa Tauroleve, de Ricardo Levesinho. Se no que diz respeito a Vila Franca não há nada a dizer pela negativa, muito pelo contrário foi uma feira muito interessante acima de tudo do ponto de vista ganadeiro, já na Moita foi este aspeto que pecou pela negativa, exceção feita para a corrida Palha lidada a pé.

Realizaram-se corridas de toiros noutras localidades mas com menos expressão. Santarém, Caldas da Rainha, Nazaré, Figueira da Foz, Alcochete, Reguengos de Monsaraz (numa tarde trágica para os forcados), Chamusca, Évora, Cartaxo, Azambuja, Almeirim (a única corrida televisionada), Elvas e Monforte.

Dentro dos possíveis foi uma temporada positiva em que o público acorreu às praças de toiros, apesar de todas as dificuldades inerentes. Haja afición!