O empresário morreu no hospital da CUF, no Porto, onde estava internado desde domingo. Tinha 79 anos e era um dos homens mais ricos de Portugal.

Belmiro Mendes de Azevedo nasceu em Tuías, uma aldeia de Marco de Canaveses, a 17 de fevereiro de 1938. Filho de pai carpinteiro, mudou-se para o Porto aos 11 anos, onde viria a estudar no Liceu Alexandre Herculano, no Porto. A insistência do professor do ensino primário junto dos pais foi decisiva para o prosseguimento dos estudos.

Licenciou-se em Engenharia Química, também no Porto, por via de uma bolsa da fundação Calouste Gulbenkian. Já nessa altura se destacavam a criatividade e vontade de trabalho de um jovem inteligente que dava explicações de forma a pagar os seus estudos.

Foi a carreira na Gestão que o levou a construir o império Sonae. Começou a trabalhar na empresa onde se destacaria antes de fazer 27 anos, ainda enquanto estudante e investigador, em 1965.

Dez anos mais tarde, assumia a posição de sócio maioritário. Com a morte do fundador Afonso Pinto de Magalhães, em 1984, colheu grande parte do capital e assumiu o controlo da empresa.

A crescente influência de Belmiro de Azevedo na Sonae coincide com a expansão de um negócio que começou nos aglomerados de madeira e chegou nas décadas seguintes a áreas tão diversas como a distribuição, comunicação e telecomunicações. Paradoxalmente, uma expansão que renasceu das cinzas e ganhou força nos anos seguintes ao PREC e às nacionalizações pós-25 de Abril.

Na década de 70, o empresário especializou-se em Gestão de Empresas na Universidade de Harvard. Voltaria aos Estados Unidos em 1985 – ano em que a Sonae passou a ser cotada em bolsa – para estudar na Universidade de Stanford.

Belmiro de Azevedo fica ligado de forma inequívoca à abertura da primeira cadeia de hipermercados em Portugal, com o Continente e o Modelo a surgirem nos anos 80, ou retalho mais especializado, como a criação as lojas Worten ou Sportzone.

À obsessão com os estudos e com o trabalho juntou-se um hobbie que levou muito a sério durante a juventude: Belmiro de Azevedo praticou andebol e chegou mesmo a jogar na primeira divisão com a camisola do seu clube, o Futebol Clube do Porto. Chegou a dirigir também a secção de natação do clube.

Alargou ainda mais os horizontes da Sonae, desta feita na área das telecomunicações, ao criar a Optimus, que viria a ser substituída pela NOS em 2014 numa fusão com a ZON.

Foi pela mão de Belmiro de Azevedo que o grupo empresarial fundou o jornal Público no início dos anos 90, que veio alterar o panorama da imprensa portuguesa daquela época. Em 1998, o grupo Sonae comprava a TVI e expandia o império.

Durante vários anos constou na lista dos homens mais ricos do mundo da revista Forbes. Em 2016 ocupou a 1121ª posição. Retirou-se da vida empresarial em março de 2015, deixando o destino dos seus negócios e investimentos nas mãos do seu filho Paulo Azevedo.

“O dinheiro só serve para duas coisas: para ser gasto e para ser investido”, Belmiro de Azevedo.

fonte: RTP

foto: DR.