Na próxima quinta-feira dia 9 de Agosto, realiza-se no Campo Pequeno, a tradicional corrida de toiros em homenagem a todos os emigrantes.  O cartel é composto pelos cavaleiros Rui Salvador, António Maria Brito Paes, Manuel Ribeiro Telles Bastos, Duarte Pinto, Andrés Romero (rejoneador espanhol que confirma a alternativa) e David Gomes (que confirma a alternativa), na lide de seis imponentes toiros de Vale Sorraia. As pegas estarão a cargo dos grupos de Forcados Amadores Real de Moura, Montijo e Turlock.

Vamos conhecer melhor os intervenientes desta corrida.

Os toiros de Vale Sorraia

A Ganadaria Vale Sorraia, pasta na Herdade da Torrinha e leva na perna direita o ferro DG, ferro este que pertenceu ao avô materno do mestre David Ribeiro Telles.
Este Senhor chamava-se David Luizello Godinho. Era um equitador extraordinário e foi quem ensinou mestre David Ribeiro Telles a andar a cavalo. Foi cavaleiro amador, no tempo em que os Amadores toureavam de casaca, talvez as corridas mais importantes que toureou foi a festa de José Casimiro no Campo Pequeno, e a estreia do Grupo de Forcados Amadores de Santarém, em Almeirim.

No princípio dos anos 50 David Ribeiro Telles resolve fundar a Ganadaria Vale Sorraia e em vez de fazer um ferro, preferiu usar o ferro de seu avô David Godinho.

Esta Ganadaria não é nem pior nem melhor que as outras, mas sim diferente; predomina a pelagem Ruça e pitons bem desenvolvidos. É irregular no seu comportamento, tanto sai o toiro de bandeira fácil de tourear, como sai o louco, que dá saltos quando leva o ferro e a seguir salta a trincheira.

Na sua precedência escutam-se várias opiniões; Será que a Ganadaria Norberto Pedroso é considerada de casta portuguesa? Ou será que é de origem Saltillo?

Sabe-se que o Rei Dom Fernando VII de Espanha ofereceu ao Nosso Rei Dom Miguel uma ponta de vacas Saltillo de que estas vacas foram parar à família Infante da Câmara e posteriormente à família Norberto Pedroso da Chamusca.

No nosso entender devemos preservar esta Ganadaria, faz lembrar os toiros de antigamente e creio que é por isso que o público a admira!

Rui Salvador

 

Toureiro de paixão e de espontaneidade, Rui Salvador apresenta-se no Campo Pequeno, na próxima quinta-feira, abrindo cartaz na tradicional “Corrida do Emigrante”.

Rui Salvador apresentou-se em público no já longínquo 13 de Fevereiro do 1976, na Barquinha, como amador, categoria em que debutou no Campo Pequeno a 22 de Fevereiro de 1977.

A prova de praticante surgiu a 19 de Abril de 1981, em Tomar e a alternativa surgiu a 9 de Agosto de 1984, no Campo Pequeno. Padrinho: José Mestre Batista; Testemunha: João Moura. Completam-se esta quinta-feira 34 anos sobre essa feliz data.

Pela sua forma de tourear, pela sua entrega, sobretudo no momento de cravar, cedo Rui Salvador começou a ser conhecido pelo “cavaleiro dos ferros impossíveis”. Um misto de emoção verdade e sentimento é a forma como Rui diz sentir o toureio.

Fazendo um balanço de vida pessoal e artística, Rui Salvador considera-se “um cidadão comum, que tem a felicidade de ter uma família maravilhosa com que sempre sonhou, uma mulher que ama e dois filhos extraordinários que me apoiam em tudo na vida. Gosto de fazer sempre algo, de construir, ajudar, apoiar e incentivar tudo e todos em novos projectos… Tenho a sorte de fazer aquilo que gosto e que idealizei um dia fazer. Sou Arquitecto, cavaleiro tauromáquico, agricultor. Realizo eventos na Quinta do Falcão e adoro estar com os meus Amigos! Pode até parecer muita coisa, mas gosto de viver a vida intensamente, assim como o toureio deverá ser vivido…”

Brito Paes

Aficionado ao campo, ao toiro, ao cavalo à equitação e que tenta ir o mais longe possível como toureiro e equitador, assim se define António Maria Brito Paes, que na próxima quinta-feira regressa ao Campo Pequeno, na tradicional Corrida do Emigrante.

Nascido em Alenquer, fez a sua apresentação ao público em Monforte, a 14 de Agosto de 1994 e tomou a alternativa na Moita do Ribatejo, a 9 de Julho de 2005, apadrinhado por João Moura.

Cavaleiro de dinastia, neto e filho de cavaleiros tauromáquicos, sente uma grande responsabilidade por ter um nome a defender. Considera ter a responsabilidade de apresentar os cavalos bem arranjados e bem-postos, e faz uma distinção: “A responsabilidade não é o medo do toiro, é o querermos fazer a melhor figura dentro da arena para agradar ao público e para tentarmos também arranjar novos compromissos.”

Define-se como um cavaleiro de estilo clássico, embora considere que, na arte, como em tudo, se deve evoluir e tirar o máximo partido das potencialidades dos cavalos.

“Dedico o meu tempo a trabalhar os cavalos no picadeiro, onde toureio ou treino com vacas.” E explica: “Primeiro porque hoje em dia as vacas são caras. Dou muita tourinha ao cavalo e arranjo de picadeiro, muita confiança no touro manso e na tourinha. Penso que os cavalos quando chegam à praça se tiverem demasiadamente toureados em casa deixam de ter reflexos e são menos expressivos. Se os cavalos tiverem muito “avacados”, deixam de ter a tal expressão de transmissão que nós gostamos.”

Forcados Amadores do Montijo

O Grupo de Forcados Amadores do Montijo estreou-se a 21 de Agosto de 1964, na Monumental Amadeu Augusto dos Santos (Montijo), pegando toiros da ganadaria de Rio Frio, sob o comando de José Jacinto Carvalheira.

Com um largo e rico historial, este grupo, que na actualidade é comandado por Ricardo Figueiredo, é detentor de vários e importantes troféus, destacando-se, em 2007, o troféu “João Moreira de Almeida, em 2003 o Troféu Casa dos Forcados Amadores do Montijo, em 2000 o Troféu III Concurso de Ganadarias Idanha-a-Nova, 1998, o Troféu António Gouveia, em 1992 o  Troféu Corrida dos Pára-quedistas, em 1985 o Troféu Associação de Comandos, em 1968 o Troféu Augusto Linho e, em 1970 o prestigiado Troféu Casa da Imprensa, que o distingui como o melhor grupo do ano.

Elementos seus integraram várias selecções de forcados que actuaram nos Estados Unidos, Indonésia, Canadá, México, Venezuela e Colômbia.

Na temporada de 2017, o forcado Hélio Lopes foi o vencedor do Concurso de Pegas realizado no Campo Pequeno.

 

Manuel Ribeiro Telles Bastos

O cavaleiro Manuel Ribeiro Telles Bastos actuará na próxima quinta-feira, no Campo Pequeno, na tradicional Corrida do Emigrante.

Pertencente a uma das famílias de maior tradição no panorama mundial do toureio equestre, Manuel Ribeiro Telles segue a linha clássica do toureio a cavalo praticada por seu avô, o inesquecível Mestre David Ribeiro Telles e continuada por seu tio, António Ribeiro Telles.

Apresentou-se em público em Coruche, em 1992 e fez a prova de praticante em Cabeção, em Setembro de 2002. A alternativa foi-lhe concedida por seu avô, Mestre David, a 7 de Setembro de 2006, no Campo Pequeno, com o testemunho dos seus tios, João e António e do seu primo João. Foi uma alternativa de apoteose, numa corrida inesquecível.

Num texto inserido na sua página no Facebook, da autoria de João Costa Pereira, este afirma: “A Tauromaquia vê, de quando em quando, nascer figuras que pelo seu perfil e atitude marcam uma época . Manuel Ribeiro Telles Bastos tem tudo para prosseguir a senda iniciada por seu Avô Mestre David Ribeiro Telles, seu Tios João e Antonio Ribeiro Telles. É um clássico. Apresentando-se como tal, em todas as suas facetas de cavaleiro tauromáquico. A arte antiga de que é herdeiro incontestado corre-lhe nas veias e dela não abdica com facilitismos, tão em voga por esse mundilho de modas e de enganos. Tem em Mestre David Ribeiro Telles o ídolo a imitar. O caminho a seguir. A escola onde aprender.”

Manuel Ribeiro Telles tem, nestes 12 anos de profissionalismo, demonstrado, enquanto cavaleiro tauromáquico, o perfil que em tempos lhe foi vaticinado.

Duarte Pinto

É um dos cavaleiros da nova geração que fazem parte do cartel da tradicional corrida do emigrante. Filho do cavaleiro Emídio Pinto, um dos grandes nomes do toureio a cavalo das décadas de 1980 e 1990, Duarte Pinto ascendeu ao profissionalismo a 23 de Julho de 2009, no Campo Pequeno. A sua alternativa constitui um dos momentos históricos da “Catedral Mundial do Toureio a Cavalo” Concedida por seu pai, a alternativa do jovem Duarte teve três testemunhas de honra, os cavaleiros já retirados Luís Miguel da Veiga, José João Zoio e Frederico Cunha. Actuaram os cavaleiros Paulo Caetano, Joaquim Bastinhas, João Moura Caetano e Marcos Bastinhas.

A propósito da Corrida do Emigrante, que na próxima quinta-feira se realiza no campo Pequeno, colocámos três breves questões a Duarte Pinto.

Que balanço faz das suas actuações nesta temporada?

Duarte Pinto (DP)- Faço um balanço muito positivo. Tenho privilegiado a qualidade em detrimento da quantidade de actuações. Tenho actuado em corridas e datas importantes e ganho contratos para praças de maior responsabilidade. A quadra de cavalos tem correspondido. Há que ter em consideração que o público está mais exigente e nós temos de dar resposta a essas exigências. Eu tenho conseguido e é isso que me leva a considerar o que vai de temporada como muito positivo para mim.

Como encara a sua participação na Corrida do Emigrante?

DP- É sempre para mim um enorme orgulho saber que a empresa do Campo Pequeno conta comigo para fazer parte do seu abono. Algumas vezes, tenho até sido repetido, o que representa para mim o reconhecimento pelo meu trabalho. Gosto o cartel de quinta-feira. Está bem montado. Gosto da data e do facto de ser uma corrida dedicada aos nossos compatriotas emigrantes. Registo importantes triunfos no Campo Pequeno e fico feliz por merecer o reconhecimento da empresa, pois é sem dúvida uma recompensa para todos nós.

Que espera dos toiros Vale Sorraia?

DP- É uma ganadaria séria, gerida por gente que sabe e que conhece como poucas o mundo do toiro e do cavalo e, por consequência, de tauromaquia: A família Ribeiro Telles. É uma ganadaria exigente, que “pede” o Bilhete de Identidade aos toureiros. São toiros muito sérios que podem proporcionar um grande triunfo. Um triunfo com toiros com estas características é sempre muito valorizado e eu vou esta quinta-feira ao Campo Pequeno para triunfar.

Forcados Amadores de Moura

O Real Grupo de Forcados Amadores de Moura, estreou-se a 9 de Setembro de 1971, na praça de toiros de Moura e é considerado o mais antigo do Baixo Alentejo. Nessa tarde histórica para o Grupo, que se apresentou sob a chefia de António Maria Garcia, pegaram toiros da ganadaria de José Francisco Cruz e Crujo.

Ao longo de 47 anos de actividade, com presenças nas mais destacadas datas do calendário tauromáquico português e várias e honrosas presenças em praças de Espanha e França, o Real Grupo de Forcados Amadores de Moura tem sabido conquistar o respeito e a admiração dos aficionados.

Em 1991, por ocasião da comemoração dos 20 anos da fundação do Grupo, foi-lhe outorgado o título Real por Duarte Pio de Bragança no que é o único Grupo de Forcados a ostentar esta distinção régia.

Andrés Romero

O rejoneador espanhol Andrés Romero, discípulo de Diego Ventura, confirma a sua alternativa esta quinta-feira, na Corrida do Emigrante, no Campo Pequeno, das mãos do cavaleiro Rui Salvador.

Depois de uma intensa aprendizagem com Diego Ventura, Andrés Romero faz a sua apresentação ao público em Julho de 2006, em Higuera de la Sierra, embora ele considere que a data oficial do seu debute seja 13 de Agosto de 2006, em Escacena del Campo (Huelva), o local do seu nascimento. A 10 de Março ganha o certame de promoção de rejoneadores em Atarfe (Granada) e, daí, ruma à alternativa que toma na Real Maestranza de Caballería (Sevilha) a 4 de Maio de 2014, sendo o primeiro rejoneador a fazê-lo naquela centenária praça. O padrinho foi Andy Cartagena e Diego Ventura a testemunha. Corta 2 orelhas.

A confirmação foi no mês seguinte (13 de Maio), em Madrid, das mãos de Diego Ventura, ante o testemunho de Leonardo Hernández e Toiros de Fermín Bohórquez. Não foi uma tarde de triunfo, mas deixou bem vincado que o público pode contar com ele.

Esta temporada tem actuado várias vezes em Portugal, com assinalável êxito, surgindo esta quinta-feira a confirmação de alternativa na “Catedral Mundial do Toureio a Cavalo”.

Forcados de Turlock (Califórnia, EUA)

Fundado em Abril de 1976, o Grupo de Forcados Amadores de Turlock fez a sua estreia em Pico de los Padres (Califórnia, USA), tendo como cabo fundador João Hermínio. Este foi o primeiro grupo de forcados a constituir-se fora de Portugal. Tem na sua origem e, assim como nas constituições subsequentes, forcados luso-descendentes da colónia de portugueses da Região Autónoma dos Açores que, ao longo de gerações, emigraram para este estado norte-americano. São, pois, um exemplo de sucesso no que respeita à introdução de valores culturais lusitanos e particularmente no que à Tauromaquia diz respeito, num território tão longe das suas origens; por outro lado, constituem um importante factor de ligação a Portugal, a pátria dos seus antepassados.

Anualmente o Grupo de Forcados Amadores de Turlock tem marcado presença no Abono do Campo Pequeno, para além de outras praças do Continente e da Região Autónoma dos Açores. Esta temporada, o grupo pegará também em França. Do seu historial de 42 anos de actividade, contam-se ainda actuações no Canadá.

O Campo Pequeno é uma das praças de eleição para este grupo, onde por duas vezes forcados envergando a sua jaqueta, conquistaram o prémio para “Melhor Pega”. Tal aconteceu a 4 de Agosto de 2011, com o forcado Michael Lopes e com George Martins Jr., o actual cabo, em 2016.

(em actualização)