Touradas sem sangue, como acontece nos Estados Unidos da América e no Canadá, em que o toiro sai à arena com um pedaço de velcro, onde são coladas das bandarilhas, que em vez de terem um arpão têm uma ventosa autocolante.

A ideia é do deputado socialista Pedro Delgado Alves e tem o aval de Carlos César (líder da bancada parlamentar daquele partido), que encarregou Delgado Alves e Tiago Barbosa Ribeiro de elaborarem a proposta. Segundo avança a edição de hoje do Expresso.

Manuel Alegre, aficionado, defensor da tauromaquia e histórico socialista, considera a ideia “interessante” e defende que deve ser estudada a sua aplicação em Portugal. No entanto, no partido socialista também há quem considere a ideia absurda, como é o caso do deputado Luís Testa que afirma que este modelo de tauromaquia sem sangue “Retira toda a emoção e a dimensão filosófica do combate igual entre o homem e o animal. Seria a morte do espectáculo”.

Os aficionados também são desta opinião. Para Paulo Pessoa de Carvalho, o Presidente da ProToiro – Federação da Tauromaquia Portuguesa “prefiro que as coisas continuem como estão”, disse ao semanário, mas acrescentando que “se a tourada tiver de se adaptar a uma nova realidade [o velcro] pode ser uma solução”.


André Silva, do PAN, não considera que esta seja a melhor hipótese. Para o único deputado do Partido – Pessoas Animais e Natureza, o ideal seria a abolição da tauromaquia. No entanto, considerada que esta hipótese do uso do velcro é “uma solução melhor do que a que existe atualmente”“Se os aficionados dizem que não é o sofrimento do animal que os motiva a ver o espetáculo, julgo que não têm como recusar essa solução”, reforça, em declarações ao Expresso.

Evolução ou retrocesso? Eis a questão que vamos ver respondida nos próximos tempos. A verdade é que há muito que a tauromaquia, não era tão falada publicamente e pena é que seja por motivos que venham denegrir esta arte que é símbolo máximo da identidade cultural portuguesa.

 

fonte: Jornal Expresso / Revista Sábado

fotos: DR.