Morreu o mais popular toureiro português. Joaquim Bastinhas. Tinha 62 anos e faleceu no hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa, onde estava internado há várias semanas.

Natural de Elvas onde nasceu a 8 de março de 1956. Era filho de Sebastião e Gertrudes Tenório. Repartiu a sua infância entre Rua dos Frades e o Monte da Chaminé, a exploração agrícola e pecuária do seu pai onde começou a montar quando tinha apenas 5 anos.

Frequentou a escola da Boa Fé e o Colégio Luso-Britânico, mas a sua paixão eram os cavalos e os toiros. A 18 de Fevereiro de 1969, com apenas 13 anos de idade, debutou no Campo Pequeno num festejo de Carnaval, praça onde viria a atuar em mais de 115 ocasiões, um feito único na história da tauromaquia nacional. Na sua etapa enquanto cavaleiro amador participou em várias garraiadas e ganhou rodagem em diversos pueblos da Extremadura espanhola. Do seu pai herdou a paixão pelo campo, pelos cavalos e a alcunha de Bastinhas, nome que vai perdurar na memória de todos os portugueses aficionados à Festa Brava.

A 9 de Setembro de 1979 na praça de Vila Viçosa, Joaquim Bastinhas prestou provas para cavaleiro praticante, integrado num cartel composto por mestre David Ribeiro Telles, Sommer de Andrade, João Telles e António Telles frente a toiros de diversas ganadarias a concurso.

Évora, seria o local escolhido para receber a alternativa das mãos do seu ídolo, José Mestre Batista, tendo como padrinho João Moura, na longínqua tarde de 15 de maio de 1983. O toiro do seu doutoramento em tauromaquia pertencia à ganadaria de Branco Núncio.

A 14 de julho desse ano, Joaquim Bastinhas confirma a alternativa no Campo Pequeno tendo como padrinho João Ribeiro Telles e testemunha Paulo Caetano, numa noite em que se lidaram toiros de “António José Teixeira”.

O seu estilo de toureio caracterizava-se pela raça, entrega e valor com que entrava em praça, fosse ela o Campo Pequeno ou uma desmontável. A imagem de marca do cavaleiro elvense era o par de bandarilhas e o salto do cavalo. Era assim que assinava o final da maioria das suas lides e era assim que o publico vibrava com as suas atuações.

Joaquim Manuel Carvalho Tenório tinha sempre uma palavra amiga com todos os aficionados, nunca recusava tirar uma fotografia ou dar um autógrafo. Tinha um sorriso que contagiava todos aqueles que o rodeavam. Tinha o carisma que só as figuras têm.

A sua carreira foi internacional, Bastinhas foi uma artista que honrou a bandeira portuguesa além fronteiras, tendo toureado em Espanha (Madrid, Sevilha, Saragoça, Burgos, Olivença, Badajoz, Léon etc), em França (Arles, Bézieres, Nimes, Dax, Saint-Marie de la Mer e Mont-de-Marsan), México (feiras taurinas de Mazátlan, Aguascalientes e Cuchiacan), Venezuela (na feira taurina da cidade de Mérida), nos Estados Unidos da América (Gustine, Stevinson e Turlock ), em Macau e até na Grécia.

Ao longo dos anos, ganhou diversos trofeus: Corrida da Rádio, Feira Taurina da Moita, R. Renascença, Sector 1, T.T. Setubalense, “Comboios de Cristal”, Tertúlia Tauromáquica Terceirense, Globo de Ouro da SIC entre muitos outros.

Joaquim Bastinhas fica para a história da tauromaquia nacional, como o cavaleiro que concedeu mais alternativas, num total de 23. A destacar a alternativa ao seu filho Marcos Tenório, a 10 de julho de 2008, no Campo Pequeno.

Em 2015, Joaquim Bastinhas sofreu um grave acidente na sua herdade em Elvas. Reapareceu este ano nas arenas atuando em julho na Figueira da Foz e em setembro, em Elvas.

Faleceu no último dia de 2018, na Unidade de Cuidados Intensivos do hospital da Cruz Vermelha em Lisboa.

A cultura em Portugal está mais pobre e a Festa Brava perdeu um dos seus maiores ídolos.

Num momento tão difícil para todos, a equipa do Faenas TV deseja os pêsames a toda a família de Joaquim Bastinhas, em especial aos seus filhos Marcos e Ivan e à sua mulher Helena Nabeiro.

Paz à sua alma maestro!

fonte e fotos: blog Joaquim Bastinhas