Diogo Palha, Diogo Sepúlveda, Francisco Empis, João Cabaço, João Pedro Seixas Luís, João Torres Vaz Freire, Joaquim Pedro Sepúlveda Torres e Pedro Seabra são oito amigos que bem podiam juntar-se para pegar um toiro envergando a jaqueta dos Amadores de Santarém, grupo ao qual pertenceram. Podia ser esta a história, mas não é. Desta vez o objetivo destes grandes forcados e aficionados é tão ou mais dificil do que pegar um toiro. Eles criaram uma associação sem fins lucrativos a “Praça Maior”, que tem por missão recuperar o prestigio da Praça de Toiros de Santarém, a maior de Portugal.

Vamos conhecer melhor os objetivos desta associação, que é sem dúvida alguma uma lufada de ar fresco para a temporada 2019.

  • A Associação “Praça Maior”, é constituída por um grupo de jovens aficionados com fortes ligações a Santarém. Quem são os elementos que fazem parte e quais foram os motivos que levaram este grupo de amigos a aceitar o desafio de recuperar a Celestino Graça?


A Associação Praça Maior foi constituída por 8 amigos aficionados (Diogo Palha, Diogo Sepúlveda, Francisco Empis, João Cabaço, João Pedro Seixas Luís, João Torres Vaz Freire, Joaquim Pedro Sepúlveda Torres e Pedro Seabra) com fortes ligações à cidade de Santarém pois todos fomos forcados no Grupo de Santarém, e vários de nós nascemos, vivemos e/ou trabalhamos nesta cidade.
Os motivos que nos levaram a avançar com uma proposta à Santa Casa da Misericórdia de Santarém para a exploração da Monumental “Celestino Graça” foi a constatação de que era imperioso fazer alguma coisa para salvar a maior Praça do país do percurso descendente que se tem vindo a verificar nos últimos largos anos. Consideramos que a Festa dos Toiros em Portugal não pode ter a sua maior Praça, localizada na capital do Ribatejo, praticamente votada ao abandono.


  • Que novidades vão apresentar para revitalizar e devolver a “Celestino Graça” à cidade de Santarém?

    Em primeiro lugar o que vamos fazer é voltar a organizar Corridas de Toiros quer nas Festas de São José, quer na Feira do Ribatejo. Isto não devia ser considerado novidade nenhuma, mas face ao que se passou nas últimas temporadas nas Festas de São José (nos últimos anos não houve Corrida) e mesmo na Feira (em 2018 não houve toiros), isto já será uma grande novidade.
    Depois, e principalmente, vamos trabalhar. Já estamos a tratar da Praça, que se encontra num estado trágico de falta de cuidados, e queremos que esta volte a ser um espaço ao serviço da cidade, onde se organizam Espetáculos de prestigio, um espaço do qual não só os escalabitanos mas todos os aficionados se possam orgulhar.
    A “Celestino Graça” tem de ser devolvida não apenas aos escalabitanos mas também a toda a afición porque a maior Praça de Portugal é dos escalabitanos e de todos os aficionados portugueses.
     
  • Na vossa opinião o que falhou nas últimas temporadas para o publico e os aficionados se afastarem desta praça?

    O declínio da Praça de Toiros de Santarém tem sido um processo que se foi agravando. Os motivos são vários e de diversas naturezas. Mas mais do que estar a “chover no molhado” o que nos importa é tomar iniciativas que permitam criar um ciclo de revitalização da “Celestino Graça”. O nosso foco está aí e não na realização de diagnósticos ou na atribuição de culpas.
    O nosso papel é trabalhar para criar condições que permitam à afición voltar a Santarém e inverter o ciclo negativo que se estava a viver. Não vamos ser nós a salvar Santarém. Serão os aficionados. Só a afición tem poder para voltar a fazer da Monumental Celestino Graça uma Praça Maior.

  • Em 2017, na Feira do Ribatejo atuaram 3 das máximas figuras do toureio a nível mundial e um dos melhores grupos de forcados (Diego Ventura, El Juli, Morante de la Puebla e o Grupo de Forcados Amadores de Santarém) e mesmo assim, a praça registou uma fraca lotação face à sua capacidade. Como analisam essa situação?

    Nós não temos tempo a perder com análises ao passado.
    O facto de não chegar anunciar figuras para meter gente em Santarém apenas nos serve como aviso permanente do tanto que há para fazer: tanto trabalho na Praça, tanto trabalho para voltar a envolver as forças vivas da cidade e da região, tanto trabalho de comunicação, tanto trabalho para que as pessoas possam voltar à Praça de Santarém. Há tanto para fazer que não temos nenhuma hipótese, nem vontade, de estar a debater o passado. O que nos importa é o futuro e criar condições para que a afición volte àquela que é a maior Praça de Portugal e onde se viveram as maiores enchentes e alguns dos mais importantes momentos da história da tauromaquia nacional.

  • Quantas corridas vão organizar esta temporada?

    Iremos organizar 3 Corridas: 1 nas Festas de São José (dia 17 de Março) e 2 na Feira (a 10 e 16 de Junho).

  • Vão apostar em corridas de toiros só à portuguesa ou também vão organizar corridas mistas (ou só com toureio a pé)?

    No dia 26 de Janeiro vamos anunciar os cartéis. Depois desse dia teremos muito gosto em responder-lhe a esta pergunta, mas até lá os cartéis são segredo.

  • Que toureiros, grupos de forcados e ganadarias estão contratados?

    No dia 26 de janeiro apresentaremos os cartéis completos das 3 corridas.
  • Qual o critério que têm para a contratação dos mesmos?

    O critério foi o de organizar corridas com a máxima dignidade, ao nível do que achamos que Santarém merece, sendo que só o conseguimos porque todos os toureiros com quem falámos mostraram sincera vontade de vir a Santarém e participar neste processo de revitalização.
    É fundamental que ninguém se esqueça onde está a Praça de Santarém: no ano passado não houve toiros nem nas Festas nem na Feira, há 2 anos uma corrida com Rouxinol, Caetano e Padilla teve 300 espectadores e nas Festas não houve toiros, há 3 anos não houve corrida nas Festas e a Feira só teve 1 espetáculo…
    É do fundo deste “poço” que queremos tirar a Monumental “Celestino Graça” e isso só será possível com o envolvimento de todos, incluindo, sobretudo, dos toureiros.
    Felizmente podemos dizer que todos os que quisemos contratar estiveram disponíveis para alinhar connosco neste desafio de voltar a tornar a “Celestino Graça” uma Praça Maior.
  • Quais as características especificas que implica uma organização de corrida de toiros em Santarém, face a outras praças? (por exemplo: Lisboa é um publico eclético, Vila Franca dá primazia ao trapio do toiro etc..)

    Não temos experiência nem conhecimento para lhe podermos dar uma resposta a esta pergunta.
    Para nós Santarém é a Praça mais importante do país porque é aquela que comporta mais aficionados e os aficionados são a base de tudo. Tudo faremos para cativar os aficionados e para os tratar bem. O que queremos é que venham aos toiros a Santarém e saiam orgulhosos da maior Praça do país e com vontade de voltar.

  • Vão contratar alguma figura do toureio de Espanha, nomeadamente os rejoneadores Pablo Hermoso de Mendoza e/ou Diego Ventura?

    Dia 26 de Janeiro apresentaremos os cartéis.

  • Já podem adiantar algum cartel?

    Só no dia 26-01.

  • O Grupo de Forcados de Santarém além de ser o mais antigo de Portugal, é um dos grupos de maior prestígio, a Associação “Praça Maior” tem uma grande ligação a este grupo. Em que medida os Forcados de Santarém vão contribuir para uma maior ligação entre os escalabitanos e a sua praça?

    A forma como o Grupo de Forcados Amadores de Santarém melhor contribui para a ligação dos escalabitanos à sua Praça, é fazendo grandes pegas nas corridas em que actuar. É isto que o Grupo de Santarém tem vindo a fazer há já mais de 100 anos e que, certamente, o Grupo atual tudo fará para continuar a fazer.

  • Qual vai ser a vossa política de preços, sendo que a praça de Santarém é a de maior capacidade em Portugal?

    Um dos motivos pelos quais a “Celestino Graça” é fundamental para a Festa nacional é porque é a Praça que mais democratiza o acesso ao espetáculo.
    A Monumental de Santarém será a Praça mais barata de Portugal. Vamos ter mais de 1.600 bilhetes a 7,5 € e mais de 5.600 bilhetes de valor inferior a 14,00 €. Além disso vamos implementar um sistema inovador de descontos por compra antecipada com 15% de desconto para bilhetes comprados até 1 mês antes da corrida e 10% até 15 dias antes.
    A partir de dia 26 de Janeiro já vai ser possível comprar bilhetes para qualquer uma das Corridas e não será pelo preço que alguém deixará de ir aos toiros a Santarém.

  • O facto de há vários anos para cá a Feira Nacional da Agricultura realizar-se no CNEMA, contribui para uma menor adesão do publico durante a Feira do Ribatejo?

    Claro que quando a Feira Nacional da Agricultura era no Campo Infante da Câmara isso facilitava a adesão do público às Corridas, mas isso acabou em 1993. Já passaram mais de 25 anos e o que importa é lidar com a situação como ela é hoje.
    A Feira de Sevilha não é ao lado da Maestranza, nem a Feira de Zafra é ao lado da Praça e não é por isso que as Corridas deixam de estar cheias.
    Nós estamos a trabalhar em grande articulação com o CNEMA e as Corridas da Feira irão fazer parte do Programa da Feira Nacional da Agricultura, quem for à Feira e sair para ir aos toiros vai poder voltar a entrar na Feira sem voltar a pagar, vamos voltar a organizar a famosa Corrida da CAP no dia de encerramento da Feira e vamos trabalhar muito para atrair os visitantes da Feira às corridas.
    A Feira Nacional da Agricultura tem cerca de 200.000 visitantes. Nós temos de olhar para a Feira Nacional da Agricultura como uma oportunidade e não como um problema.

  • Um aspeto que achei muito interessante na vossa iniciativa, é o facto de ser uma associação sem fins lucrativos. A afición tem de estar sempre em primeiro lugar face à questão económica?

    Em condições normais a organização de espetáculos tauromáquicos é, e deve continuar a ser, um negócio.
    Em condições anormais, como são aquelas em que se encontra a Monumental “Celestino Graça”, são necessárias medidas diferentes.
    No nosso caso, nós estamos a cumprir uma Missão, voltar a tornar a “Celestino Graça” uma Praça Maior, e fazemo-lo movidos somente por afición. É por isso que nos sentimos à vontade para convocar toda a afición para colaborar connosco nesta Missão e isso só faz sentido se não existirem fins lucrativos.
    Caso haja resultados positivos os Estatutos da nossa Associação obrigam a que esses resultados sejam aplicados em melhorias na Praça de Toiros de Santarém pois é para melhorar a Praça de Santarém que aqui estamos.

foto: Tauronews