A corrida do Emigrante tinha como aliciante, ser um concurso de pegas. Em praça estavam três bons grupos de forcados: os amadores do Montijo, o Aposento do Barrete Verde de Alcochete e os amadores de São Manços.

Pelos forcados do Montijo, foram caras Hélio Lopes numa grande pega à primeira tentativa e José Pedro, ao segundo intento.

Pelo Aposento do Barrete Verde de Alcochete, concretizaram Marcelo Loia à primeira e Diogo Amaro à segunda, sempre a aguentar vários derrotes ficando em vários momentos sozinho na cara do toiro, mas nunca deixando de acreditar que era possível concretizar aquela pega. Incrível e emocionante. Na minha opinião esta é (até ao momento) a melhor pega da temporada em Lisboa. Duas voltas à arena. justíssimas!

Pelos Amadores de São Manços, pegaram João Fortunado e Jorge Valadas, ambos à primeira tentativa.

No final, o júri decidiu atribuir o prémio da melhor pega ao forcado Hélio Lopes, dos amadores do Montijo e aí estalou a bronca… O público entendeu que a pega que deveria ter sido premiada, seria a de Diogo Amaro, do Barrete Verde de Alcochete. A pega do consagrado forcado do Montijo, foi muito boa e eficaz, mas não foi nem de perto, nem de longe, tão espetacular como foi a de Diogo Amaro.

O júri, composto por um elemento do Real Clube Tauromáquico Português, António Alfacinha (ex-cabo dos amadores de Évora) e Amorim Ribeiro (ex-cabo dos amadores de Coruche), há de ter as suas razões. Na minha opinião o público é soberano, e quem merecia o prémio, seria a pega de Diogo Amaro.

No final da corrida, Diogo Amaro saiu em ombros, uma atitude com a qual não concordo. Entendo que um grupo de forcados deva sair pela Porta Grande, depois uma excelente atuação (como aconteceu por exemplo em 2015, com o grupo de Santarém na corrida do centenário desta instituição). Não concordo que saia um só forcado, porque ele é apenas um elemento que faz parte de um Grupo, e quando entra em praça entra sempre com o seu Grupo, e as pegas só se concretizam porque é feitas em Grupo, e não em solitário.

No que diz respeito aos toiros de Ribeiro  Telles, foram díspares de apresentação e comportamento. O melhor foi o 5º toiro que arrancou-se, várias vezes, para o cavalo, mas foi após a lide do 3º, que o maioral foi chamado à arena para dar volta…

No que diz respeito aos cavaleiros, o destaque vai para os ferros curtos de Rui Fernandes ao segundo toiro do seu lote.

O diretor de corrida foi Tiago Tavares, assessorado pelo veterinário Jorge Moreira da Silva, numa noite em que a praça registou menos de meia casa de público.

Na próxima quinta-feira, no Campo Pequeno, realiza-se uma novilhada mista e uma oportunidade para ver alguns dos novos valores da Festa Brava.

foto: Campo Pequeno