O Bullfest – Festival da Cultura Portuguesa foi um sucesso. Uma forma diferente de divulgar a Tauromaquia junto de novos públicos, que tiveram acesso gratuitamente ao longo do dia a diversas actividades, onde o estilo contemporâneo, cruzou com o popular e o urbano. O Campo Pequeno abriu as suas portas a muitos curiosos e a muitas pessoas que nunca tinham cruzado o portão principal deste imponente monumento alfacinha.

O fado e o cante alentejano, andaram lado a lado com o cinema documental, o teatro de marionetas e até o grafitti.

A grande presença de turistas e de famílias comprovou o enorme interesse pela cultura portuguesa nas suas várias dimensões. Este interesse foi ainda confirmado pela repercussão mediática nacional e internacional, com o canal público chinês a acompanhar o evento.

Ás 17 horas realizou-se o festival taurino. Artisticamente não foi extraordinário, mas foi agradável de se ver tendo em conta que estamos no inicio da temporada e as saudades para ver corridas de toiros “ao vivo e a cores” são mais que muitas. A parte equestre foi composta por 3 duplas de toureiros: Rui Salvador / Manuel Manzanares, Luís Rouxinol / Filipe Gonçalves e Brito Paes (em substituição de Telles Bastos) / Francisco Palha.

Todos eles acusaram falta de rodagem e falta de entendimento, mas todos eles mostraram vontade em fazer as coisas bem feitas, com destaque para o duo Rouxinol / Gonçalves, com o de Pegões a tourear muito bem e o do Algarve a chegar com impacto às bancadas.

No que diz respeito aos forcados, a selecção composta pelos cabos de todos os grupos pertencentes à Associação Nacional de Grupos de Forcados, não funcionou da melhor maneira, o que já seria de esperar tendo em conta que os elementos praticamente não se conhecem e nunca pegaram juntos. A excepção foi a segunda pega da tarde a cargo de Hugo Figueira (Redondo), com uma grande primeira ajuda de Pedro Coelho dos Reis (Aposento da Chamusca).

No que diz respeito ao toureio a pé “El Fandi” esteve espectacular com as bandarilhas e os portugueses António João Ferreira e Manuel Dias Gomes (que lidou um bom novilho “olho de perdiz” da ganadaria Torre de Onofre), mostraram valor e atitude tendo conta as poucas oportunidades que têm para tourear em público.

No final actuou o grupo de recortadores Arte Lusa que entusiasmou as bancadas com recortes e acrobacias espectaculares e cheias de emoção, diante do novilho mais rematado da tarde pertencente à ganadaria Prudêncio. Uma vertente da tauromaquia que certamente vai estar cada vez mais presente nas arenas nacionais, uma vez que é uma excelente forma de cativar novos aficionados e alcançar outros públicos.

Notas Positivas

  • Presença de muitas famílias e juventude nas bancadas.
  • Atitude dos toureiros, dos forcados e dos recortadores.
  • Uma grande primeira ajuda de Pedro Coelho dos Reis, na segunda pega da tarde.
  • Um bom novilho de Torre de Onofre (lidado em 6º lugar).
  • Actuação dos recortadores Arte Lusa.
  • Merchandising da marca Touradas (uma nova forma de divulgar a Festa Brava).

Notas Negativas

  • Toureio a cavalo a duo. Não faz sentido nenhum porque os toureiros não treinam juntos e não existiu harmonia nas lides. Podia funcionar se fosse uma dupla constituída por exemplo, por pai e filho (Mouras ou Rouxinóis).
  • Selecção de forcados. Tal como no toureio a cavalo a duo, aqui também não existiu entrosamento.
  • O preço dos bilhetes podia ser mais acessível, tendo em conta que se trata de um festival taurino.

Fique de seguida com o resumo em vídeo do festival. Um trabalho realizado pelo Faenas TV.

foto: touradas.pt