Se nas últimas duas temporadas em Lisboa, houve uma clara aposta no toureio a pé, esta temporada a empresa de Lisboa apostou fortemente no “toiro-toiro” e na diversidade dos grupos de forcados, até ao momento estão anunciados 25 grupos.

No que diz respeito às ganadarias, oxalá que os toiros invistam e honrem o nome e as características da sua proveniência. Pinto Barreiros, Murteira Grave, António Silva, Veiga Teixeira, Ribeiro Telles, São Torcato, Vale Sorraia, Manuel Coimbra, Romão Tenório e Paulo Caetano, dispensam qualquer tipo de apresentação. Existe variedade de encastes ( Pinto Barreiros, Murube-Urquijo, Norberto Pedroso, Parladé, Domecq, Oliveira Irmaõs etc… ), acredito plenamente que a empresa tenha escolhido os toiros com mais trapio e em tipo de cada ganadaria. Haja bravura!

 

 

O toureio equestre, a modalidade que os portugueses (na sua generalidade mais apreciam), está bem representado. O abono conta com nomes muito fortes do toureio a cavalo, Pablo Hermoso de Mendoza, João Moura (que comemora o quadragésimo aniversário da sua alternativa, numa corrida de cariz familiar), António Ribeiro Telles (nos 35 anos de alternativa), Rui Fernandes (nos 20 anos de alternativa), Luís Rouxinol, Rui Salvador, Moura Caetano, João Moura Jr, João Ribeiro Telles Jr, Duarte Pinto, Telles Bastos, Brito Paes, Ana Batista, Sónia Matias e muitos outros bons cavaleiros tauromáquicos.

Ausência notada a de Diego Ventura, um rejoneador com muita “praça” em Portugal e que está a atravessar um momento extraordinário da sua carreira. Mas também faltam outros cavaleiros, que têm muita qualidade e nos últimos anos infelizmente, não têm toureado em Lisboa, por exemplo, Paulo Jorge Santos, Tito Semedo, Francisco Cortes, Vítor Ribeiro etc… Seria interessante ver no Campo Pequeno, o regresso de Paulo Jorge Ferreira, cavaleiro há muito radicado na Califórnia e que tem realizado ótimas temporadas nos Estados Unidos da América, tanto no que diz respeito ao toureio propriamente dito, como ao ensino de cavalos para toureio.

Ao escrever sobre toureio à portuguesa, tem de se obrigatoriamente abordar a figura do Forcado. Este ano, os responsáveis pela tauromaquia no Campo Pequeno, a Dra. Paula Resende e Rui Bento apostaram fortemente na diversidade dos grupos de Forcados. Peca por não conseguir repetir, os grupos consagrados, mas ao mesmo tempo dá oportunidade a diversos agrupamentos de mostrarem o seu valor na arena mais importante de Portugal. A par disso, financeiramente, pode ser uma mais valia para a empresa do Campo Pequeno.

Até ao momento os grupos anunciados são os de Santarém, Montemor, Alcochete, Aposento da Moita, Vila Franca, Lisboa, Coruche, Évora, Portalegre, Monforte, Arronches, Coimbra, Monsaraz, Cartaxo, Aposento da Chamusca, Ribatejo, Chamusca, Cascais, Montijo, Turlock (triunfadores das últimas temporadas e que este ano pegam muito merecidamente três toiros, na corrida do emigrante), e ainda os Amadores da Moita, Tertúlia Tauromáquica do Montijo e Arruda dos Vinhos que vão atuar na novilhada de oportunidade aos novos valores, que este ano se realiza no sábado, dia 28 de Abril.

Ausências notadas no que diz respeito à arte das “jaquetas das ramagens”, vão para o grupo do Aposento do Barrete Verde de Alcochete (que tem realizado nas últimas temporadas, emotivas pegas em Lisboa) e para grupo de Beja, triunfador em 2015 e desde então nunca mais regressou à praça de toiros da capital.

No que diz respeito ao toureio a pé, estão anunciadas 3 máximas figuras de Espanha, Morante de la Puebla e José Mari Manzanares (que atuam na mesma corrida, a 5 de Julho). E Padilla fará a sua despedida em Lisboa (em data a anunciar). Em relação aos matadores de toiros portugueses, António João Ferreira e Nuno Casquinha vão fazer as honras da casa.

A principal ausência é a de Manuel Dias Gomes, que triunfou em 2016 na corrida dedicada exclusivamente ao toureio a pé (com Finito de Córdoba e Padilla) e teve uma atuação memorável na temporada passada, numa noite em que compartiu cartel com o “pirata do toureio”. Nota ainda para a ausência de João Silva “Juanito”, um novilheiro que está a fazer um excelente percurso com picadores em Espanha e que desde a colhida sofrida em 2015, em Lisboa, nunca mais regressou à capital para demonstrar a arte que leva dentro. Vai ser certamente, o próximo matador de toiros português.

Oportunidade ainda aos jovens valores. Soraia Costa repete presença na novilhada depois de tê-lo feito em 2017 assim como o novilheiro Sérgio Nunes (ex-aluno da academia do Campo Pequeno e atualmente na escola de Madrid). O restante elenco a par dos grupos de forcados acima mencionados, é composto pelos cavaleiros praticantes António Prates e Ricardo Cravidão. Nas lides apeadas presença dos novilheiros praticantes João d’Alva (escola de Vila Franca de Xira), Luís Silva (escola da Moita) e Rui Jardim (a representar a academia do Campo Pequeno).

Faltam ainda anunciar, os elencos completos de três corridas de toiros a realizar-se a 23/24 de agosto e a 20 de Setembro e 11 de Outubro (a tradicional corrida de gala à antiga portuguesa).

Resumindo e concluindo, há corridas para todos os gostos, com ganadarias de diversos encastes e toureiros de estilos muito diferentes.

Pessoalmente acho que 14 espetáculos taurinos é um número elevado face aos diversos acontecimentos de cariz cultural e desportivo que vão acontecer este ano, mas sendo um otimista realista, espero que todas as corridas registem excelentes entradas de público (algumas têm mesmo de esgotar dada a qualidade dos carteis) e acima de tudo que os aficionados e público em geral saiam satisfeitos no final de cada corrida e com vontade de voltar em breve.

fotos: Campo Pequeno